ESG e desempenho financeiro o que a pesquisa acadêmica global mostra

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17 de setembro de 2026

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ESG e desempenho financeiro

Se há um tema que domina a produção acadêmica recente sobre governança corporativa, é a integração de fatores ambientais, sociais e de governança à forma como as empresas são dirigidas e avaliadas.

Entre os dez artigos mais citados de uma revisão bibliométrica que analisou 887 estudos publicados entre 2020 e 2025, ao menos seis tratam direta ou indiretamente de ESG, e o próprio mapeamento de palavras-chave da literatura mostra o termo “ESG” fortemente conectado a “governança corporativa”, “responsabilidade social corporativa” e “sustentabilidade” no centro da rede de temas estudados.

Resultado Positivo

A tendência geral encontrada é positiva: o estudo mais citado de toda a revisão, com mais de mil citações, constatou que divulgação de práticas ESG tem efeito positivo sobre o desempenho das empresas listadas no S&P 500, e outros estudos amplamente citados relacionam ESG a maior inovação verde corporativa, menores restrições financeiras e melhor rentabilidade, especialmente em empresas de maior porte.

Essa é a narrativa que se consolidou no debate público sobre sustentabilidade corporativa nos últimos anos: fazer bem feito em ESG tende a se traduzir em melhores números financeiros.

Mas não há consenso

Nem todos os estudos mais citados, porém, confirmam essa direção.

Um dos dez artigos mais citados da revisão, conduzido no setor bancário europeu, encontrou o oposto: uma associação inversa entre o avanço do sistema de governança corporativa e o desempenho financeiro observado.

Outro estudo, entre os mais citados, mostrou que os efeitos de diferentes dimensões específicas de ESG sobre o desempenho financeiro seguem inconclusivos, com o porte da empresa funcionando como fator que altera essa relação.

Ou seja, mesmo dentro do grupo de estudos mais influentes e mais citados do campo, o consenso está longe de ser unânime.

Essa divergência entre estudos de alta qualidade e ampla repercussão acadêmica é, em si, um dado relevante.

Ela indica que o efeito de ESG sobre o desempenho financeiro depende fortemente do setor de atuação da empresa, do indicador financeiro utilizado para medir o resultado e do desenho institucional e regulatório do país em que a empresa opera.

Tratar ESG como uma fórmula garantida de melhor desempenho financeiro, portanto, simplifica demais uma relação que a própria produção científica mais citada do campo trata com cautela.

A recomendação mais sensata para empresas que estruturam sua agenda de sustentabilidade é tratar ESG como parte de uma estratégia de criação de valor de longo prazo e de gestão de risco, não como garantia automática de retorno financeiro de curto prazo.

A evidência acadêmica apoia a ideia de que ESG bem executado tende a se associar a melhores resultados, mas o tamanho e até a direção desse efeito variam o suficiente para que nenhuma empresa trate esse vínculo como certeza.

Referência:

CHALI, Birhanu Daba; LAKATOS, Vilmos. Corporate governance and financial performance: bibliometric–systematic literature reviews (B-SLR). International Journal of Financial Studies, v. 14, n. 6, e157, 2026. DOI: https://doi.org/10.3390/ijfs14060157.

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