Inteligência artificial e blockchain na governança corporativa

Inteligência artificial e blockchain na governança corporativa

11 de setembro de 2026

11 de setembro de 2026

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I.A. e Governança Corporativa

Entre os temas emergentes identificados por uma revisão bibliométrica que analisou 887 estudos sobre governança corporativa e desempenho financeiro, publicados entre 2020 e 2025, a incorporação de tecnologias digitais à prática de governança desponta como uma das fronteiras de pesquisa mais recentes e ainda pouco exploradas.

Inteligência artificial, blockchain e sistemas de monitoramento orientados por dados aparecem como temas crescentes, ainda que representem uma fração pequena da produção científica total do campo.

Os estudos mapeados sobre inteligência artificial sugerem que ferramentas de análise de dados em tempo real podem fortalecer significativamente a capacidade de monitoramento dos conselhos de administração, ajudando a identificar riscos e sustentar decisões com mais informação disponível.

Tecnologia e Responsabilidade

Ao mesmo tempo, a pesquisa mais recente sobre o tema chega a uma conclusão importante: mesmo quando o conselho utiliza inteligência artificial para mitigar falhas institucionais, a responsabilidade final pelas decisões continua sendo dos conselheiros individualmente, não do sistema.

Tecnologia amplia a base de evidências disponíveis para a decisão, mas não transfere a responsabilidade por ela.

Um raciocínio semelhante aparece nos estudos sobre blockchain aplicado à estrutura de propriedade e à governança corporativa. As evidências indicam que estruturas baseadas em blockchain podem melhorar significativamente a transparência, a auditabilidade e a confiança de investidores e demais públicos de interesse.

Ao mesmo tempo, os mesmos estudos alertam que essa tecnologia introduz novos desafios de coordenação, regulação e definição de autoridade decisória, questões que a literatura acadêmica ainda está começando a mapear e que estão longe de solucionadas.

Novas tecnologias e novas perguntas

O padrão que emerge desse conjunto ainda pequeno, mas crescente, de pesquisas é consistente: tecnologias emergentes de governança entregam ganhos reais de transparência e capacidade de monitoramento, mas também criam novas perguntas sobre quem responde pelo quê dentro da organização.

Nenhuma dessas tecnologias, até onde a pesquisa acadêmica avançou, substitui o papel de julgamento e responsabilização que cabe ao conselho de administração.

Para conselhos que avaliam investir em ferramentas digitais de monitoramento, auditoria ou gestão de risco, a lição da pesquisa recente é clara: adotar tecnologia para fortalecer a qualidade da informação disponível é uma tendência que deve continuar crescendo, mas isso deve vir acompanhado de regras claras sobre responsabilidade e prestação de contas.

Ferramenta nenhuma substitui a governança, ela apenas melhora, ou complica, a forma como ela é exercida.

Referência:

CHALI, Birhanu Daba; LAKATOS, Vilmos. Corporate governance and financial performance: bibliometric–systematic literature reviews (B-SLR). International Journal of Financial Studies, v. 14, n. 6, e157, 2026. DOI: https://doi.org/10.3390/ijfs14060157.

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