A evolução da pesquisa em governança corporativa, da teoria da agência ao ESG

A evolução da pesquisa em governança corporativa, da teoria da agência ao ESG

1 de setembro de 2026

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da teoria da agência ao ESG

Poucos conceitos em administração mudaram tanto de significado quanto governança corporativa.

Um levantamento recente, que reuniu quase 3.850 artigos científicos publicados ao longo de quase cinco décadas, cruzando informações sobre autoria, citações e palavras-chave, permite reconstruir essa trajetória com precisão.

O volume de produção acadêmica sobre o tema cresce a uma taxa anual de 14% e os artigos mais recentes acumulam, em média, mais de 45 citações cada, sinal de que o campo não apenas cresceu em quantidade, mas amadureceu em influência.

Na fase inicial do campo, que vai do final dos anos 1970 até meados dos anos 2000, a produção científica se concentrava quase inteiramente em mecanismos internos de controle: composição do conselho, estrutura de propriedade, remuneração de executivos e proteção dos direitos do acionista.

Responsabilidade social corporativa aparecia nesse período como tema periférico, tratado por boa parte da literatura como uma prática normativa desconectada dos objetivos centrais da empresa, e não como parte constitutiva da governança propriamente dita.

Mudanças Significativas

Essa fronteira começa a se romper de forma decisiva a partir de 2010.

O crescimento mais acentuado de publicações no período coincide com uma sequência de marcos regulatórios e de política pública: a diretiva europeia de relato não financeiro, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, o Acordo de Paris e, mais recentemente, a diretiva europeia de relato de sustentabilidade corporativa.

Cada um desses marcos deu aos pesquisadores um novo ambiente empírico para estudar, e a produção científica cresceu na mesma proporção em que esses marcos regulatórios se consolidaram.

A pesquisa acadêmica, nesse sentido, não caminhou à frente da prática regulatória: ela reagiu a ela.

O resultado, observável nos artigos mais recentes do levantamento, é que a fronteira entre governança tradicional e temas de sustentabilidade praticamente desapareceu.

Os dois grandes agrupamentos temáticos que dominam a literatura mais atual, um centrado em desempenho ambiental, social e de governança, o outro em mecanismos clássicos como diversidade do conselho e estrutura de propriedade, aparecem densamente interconectados entre si.

Desenvolvimento do escopo

Isso indica que a pesquisa não abandonou os fundamentos clássicos da governança, como temiam alguns críticos, mas ampliou seu escopo para incorporar dimensões financeiras, ambientais e sociais dentro de um único quadro analítico.

Para qualquer empresa que ainda avalia sua governança exclusivamente pelos critérios clássicos, composição do conselho, remuneração executiva, proteção formal do acionista, essa trajetória histórica é um alerta relevante: essa é a definição de governança de trinta anos atrás.

O campo de conhecimento que estuda o tema já não trata governança e sustentabilidade como assuntos separados, e as empresas que seguem tratando os dois como agendas distintas estão, na prática, medindo sua governança por um padrão que a própria pesquisa acadêmica já superou.

Referência:

MOHANASUNDARAM, S.; MATHIVANAN, Periasamy. The changing landscape of corporate governance and firm performance research from agency to ESG. Discover Sustainability, v. 7, e984, 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s43621-026-03344-0.

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