Dados, tecnologia e a nova fronteira da pesquisa em governança corporativa

Dados, tecnologia e a nova fronteira da pesquisa em governança corporativa

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24 de agosto de 2026

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À medida que um campo de conhecimento amadurece,
sua metodologia também evolui.

No caso da pesquisa em governança corporativa e sustentabilidade, essa evolução aparece de forma clara nos artigos publicados a partir de 2020, quando termos como inteligência artificial, aprendizado de máquina e economia ambiental passam a ocupar posição de destaque entre os temas emergentes de um campo que, historicamente, dependia sobretudo de questionários e de dados financeiros coletados manualmente.

Indicadores para o novo tempo

Essa mudança metodológica responde a uma demanda concreta do mercado: investidores institucionais têm cobrado, cada vez mais, indicadores de sustentabilidade atualizados com frequência, em vez de relatórios anuais estáticos.

Pesquisadores têm respondido a essa demanda incorporando métodos computacionais e análise de grandes volumes de dados às suas investigações, o que permite avaliar práticas de governança e sustentabilidade de forma contínua, e não apenas em cortes anuais.

Um achado específico levantado pela revisão vai além da metodologia de pesquisa e sugere algo mais substantivo: um estudo com empresas chinesas de capital aberto encontrou correlação positiva entre o nível de digitalização da empresa e seu desempenho em responsabilidade social corporativa, mediada por melhorias na capacidade de inovação e na eficiência de processos internos.

Ou seja, a digitalização não aparece apenas como uma ferramenta nova para medir sustentabilidade de fora para dentro, ela parece estar, ela mesma, contribuindo para que as empresas produzam melhores resultados nessa dimensão.

Tecnologia como parte da Governança

Esse duplo papel da tecnologia, como método de pesquisa e como alavanca real de desempenho, também aparece conectado à gestão de risco corporativo.

Outra evidência reunida pelo levantamento mostra que a digitalização fortalece a resiliência da cadeia de suprimentos, o que por sua vez potencializa os efeitos positivos da transformação digital sobre indicadores ambientais, sociais e de governança.

A tecnologia, nesse sentido, deixa de ser vista como um projeto isolado de tecnologia da informação e passa a ser tratada como parte da própria arquitetura de governança e gestão de risco da empresa.

Para conselhos e comitês de governança que ainda tratam investimento em digitalização e investimento em sustentabilidade como agendas separadas, a implicação prática é direta: infraestrutura de dados robusta, atualizada e verificável deixou de ser apenas um requisito técnico de reporte e passou a ser parte da própria capacidade da empresa de sustentar boas práticas de governança e de responder com resiliência a riscos operacionais.

Tratar dados e tecnologia como parte da estratégia de governança, e não como um item à parte na lista de investimentos de TI, tende a ser cada vez mais o padrão esperado pelo mercado e pela própria comunidade acadêmica que estuda o tema.

Referência:

MOHANASUNDARAM, S.; MATHIVANAN, Periasamy. The changing landscape of corporate governance and firm performance research from agency to ESG. Discover Sustainability, v. 7, e984, 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s43621-026-03344-0.

Implantação e sustentação do
Comitê de
Estratégia

Conselho

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