O Desafio do “Passar o Bastão”
O Desafio do “Passar o Bastão”

25 de julho de 2025
O rito do processo sucessório, especialmente o de “Passar o bastão”, reconhecemos como um dos maiores desafios para a governança de empresas familiares.
Um Tema desconfortável
A simples menção à palavra “sucessão” pode evocar reações desconfortáveis, pois a associamos intrinsecamente à transferência de riqueza, de poder e até à mortalidade.
Essa complexidade é agravada pela relutância do líder atual em ceder o comando, impulsionada por medos, ansiedades e pela dificuldade em abandonar uma posição de prestígio que representa o trabalho de uma vida inteira.
Para o sucedido, seja o fundador ou a geração sênior, o desafio reside em encontrar um novo propósito para sua vida pós-transição e estar genuinamente inclinado a ceder seu lugar, transformando a passagem de bastão em um rito de passagem negociado.
A preparação, portanto, não é unilateral, abrangendo tanto o sucessor quanto o sucedido.
O líder que se retira deve sentir-se confortável com seu novo papel e confiante nas habilidades da nova geração para preservar os valores e o legado construídos.
Protelar não resolve o tema
A experiência demonstra que a protelação das decisões sobre a sucessão, muitas vezes motivada por receios de conflitos ou impactos econômicos, tende a gerar mais sequelas do que o enfrentamento ágil e proativo das escolhas difíceis.
Escolhas estratégicas e desafiadoras, como eleger um membro da família em detrimento de outros, buscar um executivo externo ou vender parte do negócio, exigem coragem e previdência.
Não fazer nada e repassar as decisões para o futuro também é uma escolha, mas pode acarretar danos para os negócios e a família.
A sucessão alcança seu máximo potencial quando o sucedido consegue encontrar um novo significado para sua fase de vida pós-transição e tem a intenção genuína de deixar um legado ainda maior.
Soluções
Uma das soluções apontadas é a designação do sucedido para uma posição no conselho de administração ou consultivo, permitindo que a geração sênior ceda espaço na gestão operacional, mas continue contribuindo com sua vasta experiência em um papel mais estratégico e de longo prazo.
Posteriormente, o envolvimento em um conselho de sócios, governança familiar ou atividades filantrópicas pode proporcionar um propósito contínuo.
Para que o processo seja eficaz, é imperativo que os atuais líderes se sintam confortáveis com o papel que terão durante e após a sucessão e confiantes na capacidade dos sucessores para conduzir o negócio e manter os valores familiares.
A comunicação minuciosa de cada passo e a gestão das expectativas de todos os envolvidos são vitais para evitar descrédito e resistências futuras.
O “passar o bastão” é, portanto, uma jornada de planejamento, adaptação e aceitação que, se bem conduzida, fortalece a empresa e a família para o futuro.




