Governança corporativa e desempenho financeiro em períodos de crise

Governança corporativa e desempenho financeiro em períodos de crise

27 de agosto de 2026

27 de agosto de 2026

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Desempenho financeiro em Crise

Uma pergunta recorrente entre conselhos e lideranças executivas é se investir em práticas de sustentabilidade protege a empresa quando o ambiente externo se deteriora.

Um estudo que acompanhou 471 empresas europeias entre 2018 e 2023, período que inclui tanto a pandemia de Covid-19 quanto a guerra entre Rússia e Ucrânia, testou essa pergunta diretamente, comparando o efeito de práticas de sustentabilidade corporativa sobre o desempenho financeiro nos dois períodos de crise.

O resultado

O resultado mostra que a resposta depende do tipo de crise.

Durante a pandemia, empresas com práticas de sustentabilidade mais desenvolvidas registraram um efeito positivo sobre o desempenho financeiro. Esse mesmo padrão simplesmente não se repetiu durante a guerra na Ucrânia: a mesma variável, medida da mesma forma, deixou de ter associação relevante com o desempenho financeiro das empresas nesse segundo período.

A explicação proposta está na natureza distinta de cada crise. A pandemia gerou uma onda global de políticas de apoio a empresas, expôs fragilidades em cadeias de suprimentos e intensificou a cobrança de transparência por parte de investidores e demais públicos de interesse, um ambiente em que sinalizar solidez em sustentabilidade tinha valor de mercado reconhecido.

Já a guerra gerou pressões de natureza distinta, sanções, urgência na transição energética, respostas humanitárias, num contexto em que o apoio governamental às empresas foi bem mais limitado do que durante a pandemia, o que reduziu a confiança de investidores independentemente da solidez das práticas de sustentabilidade adotadas por cada empresa.

A lição prática

Esse achado se conecta a outra evidência relevante levantada pelo mesmo levantamento bibliográfico: durante a pandemia, ter uma boa nota em critérios ambientais, sociais e de governança não “imunizou” as ações de uma empresa contra perdas, quem realmente sustentou melhor desempenho foram as empresas que haviam investido em ativos intangíveis e em mecanismos de governança que sustentaram sua capacidade de resposta operacional. A nota de sustentabilidade, isoladamente, não foi o que fez a diferença.

A lição prática para qualquer empresa que trata sustentabilidade como proteção automática contra crises é que resiliência não vem de uma pontuação ou de um selo, vem da estrutura de governança que sustenta a capacidade da empresa de se adaptar rapidamente, e essa estrutura precisa ser calibrada ao tipo específico de choque que a empresa enfrenta.

Uma crise sanitária, uma crise geopolítica e uma crise financeira exigem respostas de governança diferentes entre si, e tratar todas elas com o mesmo playbook de sustentabilidade tende a decepcionar justamente no momento em que mais se precisa dele.

Referência:

MOHANASUNDARAM, S.; MATHIVANAN, Periasamy. The changing landscape of corporate governance and firm performance research from agency to ESG. Discover Sustainability, v. 7, e984, 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s43621-026-03344-0.

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Implantação e sustentação do
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