Engenharia Civil, uma faculdade inserida no cotidiano da população
Engenharia Civil, uma faculdade inserida no cotidiano da população
26 de junho de 2006
A história da unidade que hoje leva projetos de saneamento, habitação e planejamento urbano para a região.
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Os anos eram de chumbo, mas a determinação de fundar em Campinas uma universidade com alto grau de excelência no ensino e pesquisa era forjada no mais puro aço. Corria 1964, ano do golpe militar, quando o então governador de São Paulo, Adhemar de Barros, sancionou a lei que autorizava a implantação da Faculdade de Engenharia de Campinas, um dos pilares do projeto inicial do reitor Zeferino Vaz. Esta abrigaria inicialmente os cursos de graduação em Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica. Dois anos depois, com a Unicamp já instalada, a Câmara de Ensino Superior aprovou a criação da Faculdade de Engenharia de Limeira (FEL), que entraria efetivamente em funcionamento em fevereiro de 1969, oferecendo o curso de graduação em Engenharia Civil. Estavam plantadas, assim, as bases da atual Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), unidade cuja produção acadêmica encontra forte inserção no cotidiano da população da região de Campinas.

Improviso – No começo, o improviso marcou as atividades da unidade. O curso foi alojado em três salas cedidas pelo Colégio Técnico de Limeira (Cotil), que abrigavam respectivamente diretoria, secretaria e sala de aula. Os primeiros edifícios próprios, projetados pelo Escritório de Arquitetura Bross dos Santos & Leitner, só seriam inaugurados em maio de 1970, com a presença do governador Abreu Sodré, num evento que movimentou a cidade. A primeira turma de formandos, constituída por 31 alunos, concluiu o curso em 1971 e escolheu como paraninfo o sucessor de Abreu Sodré, Laudo Natel. Mas como um curso de cinco anos, criado em 1969, pôde formar engenheiros em apenas três anos? Explica-se. É que os dois primeiros anos do ciclo básico já haviam sido cumpridos no campus de Barão Geraldo, antes da constituição da FEL.
Entre os pioneiros da faculdade estavam nomes como os professores Gilson Baptiston Fernandes, Paulo Roberto de Moura Castro, Régis Latorraca Ribeiro Lima, José Ulysses de Miranda, Roberto Lopes de Moraes e José Luiz Fernandes de Arruda Serra. Estes se juntaram a outras figuras igualmente importantes para a consolidação da unidade, como Morency Arouca, Tioeturo Yagui, Edison Fávero, Dayr Schiozer, entre tantos outros, cujos nomes e realizações seria impossível listar. Com a graduação devidamente implantada e com a infra-estrutura física em franca expansão, a FEL deu início ao projeto de criação de cursos de pós-graduação.
As discussões tiveram início no final da década de 70, na gestão do professor Morency Arouca. Foi nessa época também que a unidade empreendeu esforços extras para contratar novos docentes com título de doutor, que pudessem se dedicar integralmente às atividades de ensino e pesquisa nos departamentos de Hidráulica e Saneamento, Engenharia de Transportes e Construção Civil. A implantação do primeiro curso de mestrado, porém, só ocorreu em 1985, na área de Recursos Hídricos e Saneamento. No mesmo ano, na gestão do reitor José Aristodemo Pinotti, foi instalada a Congregação da FEL, medida que contribuiu para o projeto de institucionalização da Unicamp.

Com a mudança da FEL para Campinas, ocorrida em 1989, houve de fato uma aproximação entre as engenharias, bem como destas em relação a outros segmentos, o que contribuiu para o avanço das atividades de ensino e pesquisa. Muitos estudos ganharam caráter multidisciplinar, condição que elevou os resultados da produção acadêmica. Um ano depois, a unidade teve a denominação alterada para Faculdade de Engenharia Civil (FEC). Na mesma ocasião, foi iniciado o processo de reestruturação do curso. O currículo passou por aprimoramento e a pós-graduação foi consolidada com a criação de um curso na área de Estruturas.
A partir daí, a unidade experimentou uma fase de franca expansão. As atividades acadêmicas atingiram um nível de excelência internacional, graças, entre outras iniciativas, à inauguração de modernos laboratórios. Durante os anos 90, novos cursos de pós-graduação passaram a ser oferecidos. Nessa época também foi criada a Empresa Júnior da FEC (Projec). Em 1999, fechando a década, a faculdade recebeu a primeira turma do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo, o que deu um novo impulso às ações nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Decorrência direta dessa situação, a Congregação da FEC decidiu, em junho de 2003, alterar mais uma vez a sua denominação, passando a chamar-se Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo. A sigla, entretanto, foi mantida.

Esse modelo pedagógico, no entender do professor Requena, vai se constituir num diferencial do ensino praticado na faculdade, cujas atividades têm gerado impactos positivos para a sociedade, sobretudo na Região Metropolitana de Campinas. A partir de convênios e parcerias firmadas com prefeituras e órgãos públicos, a FEC tem tido a oportunidade de gerar estudos, processos e produtos que contribuem para a elevação da qualidade de vida da população, em áreas que vão do saneamento básico à habitação, passando pelo planejamento urbano. A faculdade também mantém acordos com outras instituições e empresas nacionais e internacionais, que se valem do sólido conhecimento gerado pelos docentes e pesquisadores.

tualmente, a unidade está instalada em uma área de 8, 8 mil metros quadrados. Sua estrutura administrativa é composta por cinco departamentos, nos quais atuam 79 professores e 74 funcionários.
O futuro – A faculdade conta, ainda, com cerca de 1, 1 mil estudantes, distribuídos entre seus cursos de graduação e programas de pós-graduação. De acordo com a visão de futuro estabelecida em seu Planejamento Estratégico, concluído recentemente, a unidade propõem-se a contribuir para a valorização do desenvolvimento humano, científico e tecnológico, assim como para a sustentabilidade da sociedade, especialmente em relação às necessidades ligadas ao ambiente construído. Também tem como missão atuar nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e prestação de serviços à sociedade nos campos da Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, de modo a preservar, reforçar e fomentar os valores fundamentais da educação superior, promovendo qualidade de vida com responsabilidade sócio-ambiental.
Fonte: Sala de Imprensa UNICAMP






