Tendências de consumo na China pós pandemia


Há mais de dois meses, chineses começaram a retomar as atividades econômicas. Com o fim da quarentena imposta contra o novo coronavírus, consumidores mostraram novas exigências e reforçaram alguns hábitos, e esse movimento pode ser semelhante em outros países num futuro próximo.

Uma pesquisa da consultoria Inovasia analisou o hábito dos chineses durante dois meses, entre abril e junho. Os novos hábitos incluem comodidades diárias, maior preocupação com a saúde e atenção à origem dos produtos e serviços contratados.

No início da flexibilização, mais de 60% da população chinesa disse ter saído para comer com amigos, 55% disseram ter ido ao salão de beleza, e 52% foram comprar itens para fazerem exercícios físicos em casa. Muitos deles citaram a compra de alguma coisa como “prêmio” pelo tempo que ficaram em quarentena.

O estudo da Inovasia apontou 10 tendências de consumo na China pós pandemia que devem ser seguidas pelo mundo. Vamos lá:

A primeira é a adoção de lives, as transmissões ao vivo que ficaram mais atrativas durante o confinamento. Após a retomada do cotidiano, o interesse continuou ativo entre a população, e marcas aprenderam a lucrar com o “ao vivo”. O segmento de lives deve movimentar $ 135 bilhões este ano na China, contra $ 63 bilhões do ano passado.

As compras online são outra tendência apontada pela Inovasia. Chineses já tinham o hábito de fazer compras pela internet, mas em 2020 estima-se que 56 milhões de pessoas que não eram adeptas à modalidade, começaram a utilizar o e-commerce. A exigência dos consumidores também mudou – eles esperam receber produtos em até uma hora.

Em terceiro lugar na lista vem as opções “contactless”, que não envolvem contato físico. Pagamentos remotos e entregas sem contato passaram a ser um diferencial para empresas, e a demanda por produtos eletrônicos aumentou. Agora, são ainda mais tendência os óculos de realidade virtual, que aumentam a imersão nas reuniões de trabalho.

Também houve crescimento nas vendas de aparelhos de academia para serem utilizados dentro de casa. Outro setor que expandiu após a retomada das atividades foi o da educação à distância: 72% dos estudantes que cursaram alguma disciplina à distância durante a pandemia disseram ter tido uma experiência boa ou ótima.

Em seguida, está o consumo de alimentos frescos. Durante a quarentena, foram os mais procurados entre os itens de alimentação. A demanda pelos produtos mais saudáveis dobrou em maio, em comparação com o mês de abril do ano passado. Consumidores também se mostraram mais exigentes na escolha dos produtos alimentícios. Dentre os entrevistados, 80% disseram que tomam cuidados maiores ao ler rótulos e descrições das embalagens.

Na pandemia, as vendas de automóveis caíram 89% na China, mas foram retomadas de forma acentuada após a flexibilização. Também passaram a ser mais procurados os Low Speed Vehicles, que se alcançam velocidade máxima de 40km/h e são 100% elétricos.

Uma tendência super relevante que surgiu durante a quarentena na China foi a importância de fontes seguras de informação. A disseminação de fake news no país é um problema, assim como em outras partes do planeta.

Outro hábito de consumo que mudou foi o de procedência dos produtos. Chineses agora preferem artigos nacionais. Mais de um terço da população passou a consumir marcas locais, com itens produzidos e vendidos por pequenos comerciantes. Segundo a pesquisa, somente 19% preferiam o comércio local antes da pandemia.

Com 850 milhões de usuários ativos de mobile payment, a China já era considerada por especialistas como a primeira sociedade sem dinheiro em espécie do mundo, antes mesmo da chegada do novo coronavírus. Agora, empresas financeiras que oferecem as formas de pagamento sem contato encontram um cenário mais harmônico com os consumidores do mundo pós-pandemia.

É importante observar que aqueles consumidores que se adaptaram ao e-commerce durante a pandemia, não voltaram a comprar em lojas físicas da mesma forma. Com o fim das restrições, 85% dos novos consumidores online dizem ter passado a considerar como adequadas ou muito boas as experiências digitais, e 73% dizem que continuarão usando a modalidade.

Em último, mas não menos importante, está a incerteza. Apesar da retomada rápida da economia no país, nada está prometido, em especial quando falamos de emprego e renda. Durante a quarentena, foi observada desistência de 60% dos financiamentos de imóveis, por exemplo. Isso reflete maior cautela do consumidor na administração da renda.

No período em que a pesquisa foi feita, os shoppings e o comércio de rua já funcionavam normalmente em mais de 98% do país. Escolas infantis e de ensino médio já estavam abertas em 42% das cidades onde foram feitas entrevistas. Serviços de transporte público também já operavam em toda a China, inclusive voos domésticos.

Acesse a pesquisa completa em https://www.inovasia.com.br/ 

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