O trabalho e a evolução da humanidade

Um estudo realizado pelo antropólogo James Suzman avaliou a evolução da relação dos humanos com o trabalho com o passar dos milênios. De acordo com a interpretação dele, caçadores-coletores que viviam no jardim do Éden trabalhavam somente 15 horas semanais e dividiam os mantimentos igualmente entre eles.

Com a chegada da agricultura, surgiram as sociedades hierárquicas, a desigualdade, o trabalho árduo e as dietas mais pobres. A única e crucial vantagem da agricultura era a capacidade de superar os caçadores-coletores e deslocá-los da terra eventualmente.

Além disso, a agricultura também mudou a mentalidade dos homens. Há época de plantio e tempo de colheita, sendo necessária a manutenção regular, o que tornou a vida humana mais organizada.

Os grãos precisavam de armazenamento, e isso tornou elite os donos dos armazéns. O excedente era comercializado, e assim foi desenvolvida a escrita. Sociedades agrícolas passaram a construir edifícios monumentais, como as pirâmides do Egito. E foi aí que surgiram novas profissões, como pedreiro e carpinteiro.

A humanidade passou a viver em vilas e cidades. A eficiência da agricultura, somada à exploração de fontes de energia, como carvão e petróleo, tornou possível que pessoas no mundo desenvolvido atendessem às necessidades básicas de alimentos e aquecimento.

Em seguida, ocorreu a Revolução Industrial, que colocou os trabalhadores nas fábricas. Depois, a automação fez a produção ficar mais eficiente e mais barata.

O cérebro humano tem a necessidade de estar em atividade, o que levou o homem a criar tarefas para ele mesmo: e assim surgiu o setor de serviços. Um sinal da necessidade humana de atividade é a transformação do que antes era considerado trabalho, como pesca, jardinagem e panificação, que agora também são hobbies.

Segundo o antropólogo, o trabalho que fazemos também define quem somos, determina nossas perspectivas, onde passamos maior parte do nosso tempo, e orienta nosso senso de valor próprio.

A ociosidade passou a ser vista como pecado, e essa visão alavancou o crescimento econômico. Com a prosperidade do mercado, a expectativa de vida foi aumentando com o passar dos anos, uma vez que a medicina evoluiu e o nível de educação avançou, oferecendo mais opções.

Ou seja, o crescimento econômico também traz inovação. Se a humanidade tivesse ficado limitada à caça e à colheita, hoje em dia certamente haveria uma parcela menor de humanos.

FONTE: The Economist

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