Zona de Conforto: Armadilha no Planejamento Estratégico

Embora acredite que o planejamento estratégico convencional seja essencial para as empresas, Roger Martin, coautor de “Playing to Win: How Strategy Really Works”, descreve que existem três principais armadilhas neste processo que podem induzir gestores e empresários no desenvolvimento de estratégias fracas ou até mesmo equivocadas.

Para Martin, se o gestor ou empresário estiver muito confortável no planejamento da estratégia, há uma grande chance de que esta não seja muito boa. Segundo o autor, medo e desconforto são partes essenciais da elaboração da estratégia, visto que tratam-se de apostas e escolhas difíceis, cujo principal objetivo é aumentar a probabilidade de sucesso da estratégia, e não eliminar todos os riscos inerentes a este processo.

A primeira armadilha citada por Martin diz respeito ao planejamento com foco nos recursos da empresa, nas atividades, projetos e seus orçamentos, resultando em longas apresentações descritivas acerca dos produtos, custos e planos de ação, finalizando com planilhas financeiras que geralmente contemplam cálculos de 5 anos para dar ideia de “estratégico”. Trata-se de um planejamento baseado no que a empresa é capaz de fazer com seus recursos (zona de conforto), e não em uma análise profunda do que a empresa deveria fazer ou não, onde as premissas, restrições e possibilidades são exaustivamente discutidas.

A segunda armadilha refere-se ao planejamento com foco no aspecto financeiro, geralmente documentado pelas previsões de fluxo de caixa do novo empreendimento ou iniciativa. Este tipo de abordagem é muito bem conhecida pelos gestores (zona de conforto) e, portanto, amplamente utilizada. Porém, o autor reforça que planejamento de custo é diferente de planejamento da receita, visto que o orçamento é de responsabilidade da empresa e a aquisição de produtos e serviços é definida pelo cliente, ou seja, a empresa não tem controle direto sobre esta variável. De acordo com o autor, o enfoque exagerado em planejamento, orçamento e previsão, é um exercício de “impressionismo” e não estratégia. Prever custos é diferente de prever receita, onde o tempo gasto no “planejamento” da receita é uma distração de uma tarefa muito mais árdua: atrair e manter clientes.

A terceira armadilha, ainda segundo o autor, está na utilização das ferramentas de gestão estratégicas por usuários inexperientes ou muito focados na sua própria operação, onde geralmente são desenvolvidas estratégias exclusivamente relacionadas ao que a empresa pode controlar, com forte apego ao seu ambiente e experiências passadas (zona de conforto). Estratégias focadas nas capacidades da própria empresa em realizar e controlar podem não garantir a venda de seus produtos e serviços, podendo resultar em estratégias fracas ou mesmo não alinhadas e atualizadas com ambiente dinâmico em que se encontra.

A Estratégia define a direção, as prioridades e a alocação de recursos, ajudando a guiar as inúmeras decisões feitas no dia a dia das organizações em direção aos seus objetivos.

Toda organização precisa de uma estratégia para manter sua diferenciação e lucratividade, garantindo assim, sua sustentabilidade no longo prazo. Saiba mais sobre Planejamento Estratégico em: http://csprojetos.com/gestao-estrategica