Política Externa Brasileira

No último dia 23 deste mês, o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa, produziu um artigo preciso em relação à agenda externa brasileira, publicado no jornal o Estado de São Paulo.

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Suas ponderações concentram, além da própria experiência internacional, uma leitura pragmática dos equívocos do governo nos últimos anos, citando a revista Interesse Nacional como fonte das discussões mais recentes. Merece destaque, contudo, a conclusão da matéria, que aponta sugestões positivas para a questão.

O título do artigo "Uma nova agenda para a área externa" reflete, consistentemente, seu teor. Não trata apenas de críticas ao desempenho inquestionavelmente desastrado do governo, mas antes propõe um novo posicionamento para a política externa do Brasil.

Sugere que os governos petistas mantiveram as prioridades dos governos anteriores: a busca de integrações regionais no Mercosul, África, Oriente Médio e o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Os momentos mais ativos da política externa, durante o segundo mandato do governo Lula, coincidiram com o bom momento da economia doméstica e protagonismo presidencial, mas sem a participação estruturada do Itamaraty, que foi sendo alijado tanto da formulação quanto da execução diplomática do país.

Na área comercial o Brasil manteve-se atrelado ao Mercosul e a OMC. Esta última entidade sem êxitos nos acordos multilaterais, o que afastou o país das negociações globais mais relevantes nos últimos 13 anos. Um bom exemplo é o Tratado Trans pacífico, sem o Brasil e com participações de USA, México, Japão, Chile, Peru, Austrália e outros países asiáticos, todos com forte atuação comercial.

O articulista sugere a restauração de um projeto que coloque o Brasil nas correntes mais dinâmicas do comércio internacional. Para isso indica uma atuação de liderança na América do Sul, com a integração energética, agrícola e a inserção das empresas brasileiras nas cadeias produtivas da região.

O Mercosul não pode travar o avanço das negociações com União Europeia, México, Canadá e outros países desenvolvidos. Caso isso não ocorra, a própria existência do bloco deve ser examinada, sem constrangimentos.

Não há espaço para a omissão do Brasil em relação a situação na Argentina e Venezuela, principalmente. Afinidades ideológicas e paciência estratégica têm custado muito ao Brasil e às empresas nacionais afetadas por medidas restritivas desses países.

Devemos participar do processo de abertura comercial em Cuba, com transparência.

USA e China deveriam estar nas estratégias brasileiras para cooperação para inovação e acesso à tecnologias, na recuperação da indústria nacional.

Nas questões da sustentabilidade, direitos humanos e representatividade junto a ONU, o Brasil deve ampliar suas ações diplomáticas. Para tanto, o Itamaraty poderia reassumir suas funções, até para afastar a conotação partidária da política externa.

O Brasil precisa recuperar sua credibilidade diplomática e abrir espaço comercial para projetá-lo mundialmente de forma consistente.

O artigo é um bom resumo da questão e dos anseios de muitos brasileiros, portadores de bom senso. Nos casos em que os governantes alegam saber, mas não conseguir realizar os projetos por falta de ambiente político, resta aos governados provocar as mudanças, porque o Brasil não pode parar.