Os Oliveiras na Europa 3 – Por que a Europa? A importância da Due Diligence

Já entrando no terceiro mês aqui na Itália, observo que muitos amigos e empresas têm interesse em manter um relacionamento profissional em outro país, iniciando um novo negócio ou montando uma base de apoio para distribuição, divulgação do serviço ou produto já existente no Brasil. Na maior parte das vezes, não há muita ideia por onde começar, mesmo em empresas já consolidadas.

Se trata assim de, literalmente, um terreno novo e desconhecido. Com isso, todas as incertezas e desafios vêm embutidos nessa nova empreitada. Atravessar o Atlântico para apresentar o seu produto a novos mercados, há o sabor do empreendedorismo. Esse olhar empreendedor para Europa tem um significado gigantesco. Num primeiro momento, há a evidente questão de status, marketing ou apenas uma satisfação pessoal. Logo em seguida, vem o posicionamento estratégico no mundo dos negócios, num mercado consolidado, de alta qualidade e moeda valorizada.

Seja qual for a motivação ao início dos negócios (em qualquer localidade), há a importância da Due Diligence, que nada mais é do que se aprofundar com muito mais detalhes no empreendimento concreto que se pretende investir. Seja no Brasil ou seja na Itália, indispensável além dos aspectos técnicos da viabilidade do negócio em si, observar também a saúde financeira, jurídica, ambiental, etc de uma empresa que esteja sendo adquirida. No exterior, pelas óbvias características que nos diferem culturalmente, há também a necessidade de se entender o novo território de forma ainda mais abrangente, embasando as análises técnicas, financeiras e jurídicas com os costumes e a tradição da nova localidade.

Num exemplo concreto nesse breve período, tive a experiência de acompanhar a viabilidade da abertura de um hotel para um investidor específico numa pequena (e maravilhosa) cidade ao norte da Itália. A Due Diligence, que são esses atos investigativos antes de uma operação empresarial, foi interrompida logo no início dessa investigação. Uma análise puramente técnica poderia demorar em constatar o risco do negócio, uma vez que propriedade em questão tinha ótima estrutura, boa oferta de aquisição ou parceria, localização privilegiada numa cidade eleita entre as mais bonitas do país e pouca concorrência. Mas, esse contato próximo com o local me apresentou uma realidade (não aparente) que mostrou por indicadores locais um tanto peculiares que o investidor demoraria para ter o retorno do seu investimento.

Mesmo com o investimento não se concretizando, tendo o projeto sido tempestivamente abortado logo no início, essa Due Diligence cumpriu sua função, que é demonstrar o cenário mais cristalino possível ao investidor para não ser pego de surpresa em algum detalhe negativo.

Um revés pontual como esse, aliado às demais outras análises que o caso apresentou, em vez de afastar o interesse só fez aumentar a vontade de conhecer mais e dar continuidade aos planos e olhares ao inesgotável mundo europeu.