Os Oliveiras na Europa 2 – Vivendo na Itália

A localização diz muito sobre o estilo de vida que possa estar vivendo. Por óbvio, entre os mais diversos países é bastante fácil de se constatar, pois muitos se distinguem entre si, a língua, as regras e a geografia.

Já a localização da cidade dentro do país que se encontra também é importante. No Brasil, por exemplo, por seu gigantismo, é fácil observar as diferenças culturais de norte a sul.

Na Europa, devido à sua história, isso é mais acentuado. A Itália, um país menor que Mato Grosso do Sul, reflete o que ocorre no Brasil, mesmo sendo trinta vezes menor. Seria como se um dos estados brasileiros refletisse a realidade do país todo. Pois na Itália é assim. Diferença acentuadíssima entre norte e sul, no clima, nas pessoas, no desenvolvimento, nos dialetos. Pois é. No Brasil todo, apesar das diferenças fonéticas (salvo raras exceções, não há dialetos específicos de cada região). Na Itália, além do idioma oficial italiano, mais da metade do povo fala o dialeto de sua região, incompreensível entre os próprios italianos de diferentes regiões. E quase impossível para nós, estrangeiros. Aliás, a linguagem italiana é um fenômeno muito ligado à sua história. O italiano oficial é proveniente dos dialetos (e não como o contrário como poderíamos presumir). Sua padronização oficial em escolas, nas mídias e mobilidade de pessoas a fortalece, em detrimento dos dialetos, que vão perdendo espaço.

Com isso, com um tanto dessa limitação geográfica, observo no norte, onde estamos situados, algumas curiosidades nos negócios. Naturalmente, chama a atenção o que se diferencia do que estamos habituados (descrever algo que é exatamente como é no Brasil é enfadonho. Presume-se, nesse caso, que ambos fazem o que parece ser lógico. Ou, o que seria pior, que ambos estão errando e ninguém percebeu). As diferenças nos intrigam e, por isso mesmo, nos interessam.

Assim, segue um pouco dessas diferenças:

  1. Tudo é registrado: a linha telefônica pré-paga, o depósito bancário, o contrato de locação, o seguro do carro antes de mesmo de poder dirigir, a oficialização da residência, etc. è burocracia, sem dúvida. Mas, tudo muito rastreável e controlado.
  2. Há um consumo muito forte do que no Brasil seria requinte: vinho, alimentos saudáveis, queijos, carnes. Mesmo os produtos de altos valor agregado, elevado no Brasil, o consumo é intenso.
  3. Um mesmo produto têm opções econômicas para sua aquisição. Mesmo num mesmo mercado, o mesmo produto com preços com uma variável maior de preço x qualidade, em que um produto mais simples, seja efetivamente mais barato.
  4. O preço do trabalho humano é caro. Assim, há uma valorização da autonomia, o “faça você mesmo”, etc... Com isso, uma refeição que se cozinha em casa pode até ser mais barato que no Brasil. No restaurante, certamente será mais caro que o Brasil. Talvez por isso, os produtos são de grande qualidade, pois quem compra é a mesma pessoa que utiliza. Nesse sentido, há uma utilização intensa, por exemplo, da máquina de lavar louça, aspiradores de pó, cozinhas inteligentes e produtos de limpeza de excelentes qualidades, muito difundidos e utilizados. Essa é a tendência no Brasil, quando os senhores da casa deixarem de delegar tanto as tarefas domésticas a terceiros. Nesse ponto, ainda estamos décadas atrasados.

A Itália valoriza muito um bom produto ou serviço, com uma escala de preocupação de retorno financeiro um tanto diferente da nossa. Ainda precisarei de bastante tempo para entender a lógica diferentes daqui, até mesmo por não se encaixar ao conceito que já temos estabelecidos. Um seguro obrigatório pode ser quase o preço de um carro barato. Muitos produtos na lojinha da cidade são até mais baratos que o hipermercado.

É uma terra de muito trabalho, de muitas oportunidades e de muito aprendizado. Com o tempo, vamos pegando o jeito.

Até a próxima.

Arrivederci!