Estamos na direção certa? - Critérios para avaliar a estratégia corporativa

Seymour Tilles, em seu artigo publicado na Harvard Business Review nos dá seis dicas valiosas de como avaliar a eficiência da Estratégia adotada.

Estratégia é inspiração, execução é transpiração. Mas somente inspiração é suficiente para desenvolver uma estratégia de sucesso? Como saber se a estratégia está adequada ao seu negócio?

Independente da condição atual da empresa quanto à sua estratégia, se em fase de criação, planejamento ou execução, a avaliação estratégica é fundamental e deve ser feita pelas empresas, independente do porte e setor em que atuam.

Neste texto trazemos a experiência de Seymour Tilles, que em seu artigo “How to Evaluate Corporate Strategy” descreve acerca de critérios que ajudam na avaliação estratégica nas empresas.

Para Tilles, uma boa estratégia pode garantir resultados extraordinários para empresas cujo nível de gestão seja apenas mediano. Por outro lado, líderes mais inspiradores, porém presos em uma estratégia inadequada, terão de exercer a sua plena competência e gastar energia apenas para não perder o controle da situação e deixar o negócio em risco.

São seis os critérios apresentados por Tilles para avaliação da estratégia nas empresas:

CONSISTÊNCIA INTERNA: A estratégia está alinhada com a política da empresa? Qual área da empresa terá maior influência na execução da estratégia? Estamos prontos para isso? O que deve ser feito para minimizar os riscos de não estarmos preparados no futuro? Muitas organizações familiares adotam políticas internas que logo se tornam incompatíveis, como por exemplo, a rápida expansão e controle familiar exclusivo da empresa. Se forem bem sucedidos na expansão, a necessidade de investimentos adicionais coloca em xeque a política de manutenção da exclusividade no controle da empresa.

CONSISTÊNCIA EXTERNA: Estamos considerando o dinamismo do mercado para elaboração da estratégia? Qual frequência é necessária para reavaliação da estratégia? O estabelecimento de uma estratégia é como mirar em um alvo em movimento: você tem que se preocupar não só com a posição atual, mas também com a velocidade e direção do movimento.

ADEQUAÇÃO AOS RECURSOS DISPONÍVEIS: Quais são nossos recursos críticos? Ou seja, quais recursos serão a base da estratégia e que poderiam limitar o atingimento dos objetivos da empresa? A estratégia proposta é condizente com a disponibilidade desses recursos? Qual nível de alocação desses recursos para aproveitar a oportunidade sem deixar a empresa despreparada para novas demandas?
Os recursos frequentemente indicados como críticos nas empresas são recursos financeiros, competência (habilidades) e capacidade (recursos estruturais).

NÍVEL DE RISCO ACEITÁVEL: Com qual nível de risco estamos confortáveis? Qual a chance de podemos assegurar a disponibilidade dos recursos críticos na execução da estratégia? Por quanto tempo acreditamos que podemos alocar estes recursos na estratégia? Quanto de nossos recursos poderão ser alocados numa estratégica única?
Quanto mais recursos, maior tempo de dedicação e maior a exclusividade, maior é o risco da estratégia.

COERÊNCIA NO TEMPO: Quais são os objetivos e quando serão alcançados? Nosso horizonte de tempo está compatível com os resultados que esperamos? Teremos sucesso se finalizarmos a implementação fora do prazo? Qual o nível de perda em função dos atrasos? Conseguiremos mudar internamente e agir dentro do prazo estimado? O crescimento das empresas as torna mais complexas, o que reduz seu tempo de resposta e exige que essas objetivem horizontes mais longos para terem tempo de se estruturar e agir.

VIABILIDADE: A estratégia funciona? Qual a evidência que a estratégia funciona? Quais indicadores diretos e indiretos serão utilizados para avaliação do sucesso da estratégia? Alguns indicadores indiretos podem ser utilizados como o grau de consentimento entre executivos, líderes ou tomadores de decisão sobre os objetivos e metas a serem alcançados.

Tilles conclui que as organizações dedicam recursos caros e complexos na busca de aproveitar oportunidades que surgem rapidamente, muitas vezes recuando na mesma velocidade. Neste contexto, as empresas devem estar prontas para estruturar e implementar suas estratégias para não correr o risco de serem deixadas pra trás. Em outras palavras a empresa deve ter agilidade e competência para competir num mercado cada vez mais dinâmico e competitivo.

Nada mais atual para quem escreveu este artigo a mais de 50 anos atrás, visto que seu texto foi publicado na edição de 1963 da Harvard Business Review.