Empresas que não exportam: Receio ou Comodismo?

Até agosto de 2016, o saldo da Balança Comercial Brasileira foi positivo em U$ 32 bilhões. É uma boa notícia, mas os motivos para esse resultado refletem a gravidade da crise vivida pelo país: importamos 25% menos que no mesmo período do ano passado e vendemos menos também, porém a queda é de 9%. Assim, porque ficamos mais pobres a balança está positiva.

"Container" by twicepix (CC BY-SA)

A “pobreza” da nossa economia submete as empresas a menores vendas, menores giros e ganhos, mas estranhamente quase nenhuma delas se direciona para os mercados externos. Neste ano, pouco mais de 19 mil empresas exportaram, quase nada em relação ao número de pessoas jurídicas operacionais e potenciais.

Os motivos, recorrentes, dessa baixa adesão continuam os mesmos: burocracia excessiva; infraestrutura logística ruim; altos custos e falta de informações. Ocorre que, apesar disso tudo ser verdade, quem se posicionou e foi para o mercado externo hoje cresce ou sofre menos. Não e fácil, mas vale o esforço.

Numa recente declaração, representante do setor calçadista relatou sua volta às exportações em 2015, quando o dólar estava próximo de R$ 4,00. Passado 1 ano, com o câmbio em torno de R$ 3,20 toda margem se perdeu. Contudo, para enfrentar a valorização do real essa indústria investiu em eficiência operacional e conseguiu reduzir seus custos. Por fim, só está suportando a crise graças às exportações, já que a demanda do mercado interno se retrai mensalmente. O que era um ganho cambial adicional foi transformado em vantagem competitiva, e as margens iniciais foram mantidas.

O perfil mais abrangente dos gestores nacionais ainda é o familiar, principalmente entre as empresas pequenas e médias. E é nessa área que não observamos nenhum movimento na direção do comércio externo. Isso é preocupante, na medida em que são essas empresas que poderão mudar essa realidade, pois poucos e grandes grupos hoje respondem pelo comércio externo do Brasil: os 200 maiores exportadores são responsáveis por 75% de tudo o que vendemos. Esse cenário impacta números e nossa balança mas pouco muda no grau de internacionalização do país.

Vale o questionamento: isso é receio ou “juízo” em demasia, ou carrega comodismo corporativo? Permanecer na dependência exclusiva do mercado interno, hoje em dia, é opção e não condição imposta.

Esse assunto precisa e merece ser mais discutido, afinal trabalhar todos nós iremos. Porque não tentarmos em outras línguas e moedas?