Empresas exportadoras no Brasil

Em 2015 o saldo da Balança Comercial Brasileira foi positivo em U$ 19,6 bilhões. Dentre tantos indicadores negativos da nossa economia, isso parece indicar melhores perspectivas para este ano e em favor da recuperação da atividade econômica.

É bom, sem dúvida, mas um pequeno estudo dos motivos desse superávit gera um dado preocupante: o mercado externo brasileiro está, extremamente, concentrado em poucas empresas.
 
O que mais influenciou o saldo positivo não foi um aumento das vendas, mas sim uma forte retração nas compras pelo desaquecimento interno da produção e comércio.
 
Os U$ 191,1 bilhões em exportações são 14% menos do que conseguimos em 2014. E as importações de U$ 171,4 bilhões foram 24% menores em relação ao mesmo período. Então o saldo ficou positivo porque o país ficou mais pobre. Há outras variáveis, mas essa é inquestionável e nos remete a outras reflexões: porque não exportamos mais?
 
Primeiramente devemos avaliar os atrativos das vendas externas, frente aos desafios, inclusive financeiros que se impõe para essa prática. As empresas que exportam têm vantagens em relação às demais? A resposta quase unânime daquelas que atendem o mercado externo é que sim: os resultados são positivos, mas os riscos são muitos. Os principais referem-se a inadimplência, à nossa precária estrutura logística e ao pouco conhecimento do assunto. As variações cambiais e a burocracia também não ajudam, e muitos empresários optam por ficar apenas no mercado interno.
 
O tamanho dessa timidez pode ser estimado com uma relação genérica entre o total de empresas ativas e de exportadores brasileiros. O primeiro dado merece um registro: a quantidade de CNPJs ativos não representa com rigor a realidade, pois muitos simplesmente não foram baixados, embora não haja mais nenhuma atividade em curso. Além disso muitos CNPJs são de entidades e associações que não podem atuar no exterior, dada sua natureza. Por exemplo: condomínios residenciais; igrejas; sindicatos; governos; ongs e etc.
 
Todavia, mesmo com todas as considerações e exclusões que façamos dos números, a relação entre quais empresas podem e quais exportam é, absurdamente, desproporcional. Vejamos os números de janeiro de 2016, organizados pelo IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – e baseados nas informações oficiais da Receita Federal; Ministérios; Caixa Econômica Federal; IBGE e órgãos públicos:
 
TOTAL DE CNPJs ATIVOS NO PAÍS = 18.213.000 (dezoito milhões, duzentos e treze mil)
 
SETOR DE SERVIÇOS = 8.652.000 (oito milhões, seiscentos e cinquenta e dois mil)
SETOR DE COMÉRCIO = 7.133.000 (sete milhões, cento e trinta e três mil)
SETOR DA INDÚSTRIA = 1.316.000 (um milhão, trezentos e dezesseis mil)
SETOR DO AGRONEGÓCIO = 823.000 (oitocentos e vinte e três mil)
SETOR FINANCEIRO = 236.000 (duzentos e trinta e seis mil)
SETOR PÚBLICO = 51.000 (cinquenta e um mil)

  Podemos fazer as mais variadas ilações com esses dados, mas sendo exagerados e radicais consideremos que apenas 10% desses números representem o potencial de exportadores que o Brasil tem, ou seja, 1.800.000 (um milhão e oitocentas mil empresas). Pois bem, em 2015 o total de exportadores brasileiros somou 23.540 (vinte e três mil, quinhentos e quarenta empresas), o que resulta numa proporção de 0,013%.

Ao adjetivar esse dado iniciaríamos uma discussão fabulosa. Em vez disso, vamos nos perguntar: há alguma empresa que conhecemos e que poderia crescer com exportações? No cenário atual do país, o mercado externo tem potencial para nos tirar da crise? Se a resposta é sim, temos que falar mais desse assunto.