Como funciona o Rating?

Ao falamos em mercado financeiro e de capitais, o rating de crédito é um assunto recorrente e importante para investidores, instituições financeiras e empresas que tomarão o crédito. Mas afinal, como o rating funciona?

Através da ponderação de uma série de informações cadastrais e financeiras, uma nota é calculada e a empresa ou ativo é classificado em uma escala de risco.

Essa nota tem forte influência em fatores importantes para uma empresa, como por exemplo, a taxa a ser negociada, o prazo a ser concedido e as garantias que serão exigidas. Companhias com boa classificação de rating tem acesso a menores taxas, maiores prazos e maior flexibilidade de garantias do que empresas mal ranqueadas.

Ao analisar a esfera cadastral, informações como tempo de empresa, tempo de atuação de acionistas no setor, gestão profissionalizada, patrimônio dos sócios, pontualidade no Bacen, passivos tributários, concentração de fornecedores e clientes, disponibilização e periodicidade de informações cadastrais são alguns dos pontos avaliados.

Já na esfera financeira, a evolução do faturamento, liquidez, informalidade, alavancagem e estrutura de capital, capacidade de amortização dos juros e da dívida, rentabilidade e outro fatores, complementam a análise dessa ponderação de risco.

O Banco Central, através da resolução 2682 determina que as instituições financeiras classifiquem as operações de crédito nos seguintes níveis de risco:


Tabela 1
Nível Provisão para devedores duvidosos Revisão do rating da operação em função de atrasos
I AA 0,5%
II A 1%
III B 3% Atraso entre 15 e 30 dias
IV C 10% Atraso entre 31 e 60 dias
V D 30% Atraso entre 61 e 90 dias
VI E 50% Atraso entre 91 e 120 dias
VII F 70% Atraso entre 121 e 150 dias
VIII G 100% Atraso entre 151 e 180 dias
IX H A operação classificada como de risco nível H deve ser transferida para conta de compensação, com o correspondente débito em provisão.

Como pode-se notar, quanto menor o rating de uma operação, maior é o provisionamento que as instituições financeiras devem fazem. Além do impacto já comentado como taxas maiores e maior exigência de garantias, uma operação mal ranqueada impacta diretamente no resultado comercial do gerente e da agência, pois a provisão pode ser maior que o spread praticado, levando ao desinteresse comercial pela operação.

Há também as grandes agências internacionais, como Fitch, Mood’s e S&P, que também atuam na classificação de riscos de governos, empresas e operações. Veja o comparativo das notas aplicadas por essas agências:


Tabela 2
Escala de Risco de Longo Prazo Risco
Ficth Mood’s S&P
AAA Aaa AAA Melhor avaliação / Menor risco
AA+ Aa1 AA+ Avaliação alta / risco baixo
AA Aa2 AA
AA- Aa3 AA-
A+ A1 A+ Avaliação ótima / risco médio-baixo
A A2 A
A- A3 A-
BBB+ Baa1 BBB+ Avaliação média / risco médio
BBB Baa2 BBB
BBB- Baa3 BBB-
BB+ Ba1 BB+ Avaliação baixa / risco médio-alto
BB Ba2 BB Avaliação bem baixa / cap. especulativo
BB- Ba3 BB-
B+ B1 B+ Aval. Muito baixa / altamente especulativo
B B2 B
B- B3 B-
CCC Caa1 CCC+ Aval. extremamente baixa / altamente especulativo
Caa2 CCC
Caa3 CCC-
Ca CC Mais baixa Aval./ altamente especulativo
C
DDD C D Falência

Conhecer a ponderação e os pontos que podem tornar o rating de uma companhia frágil e tomar as medidas corretivas para melhorar a qualidade do risco, pode trazer uma boa economia financeira e interessantes condições de negociação para aqueles que captam recursos e maior segurança para os provedores de funding.