Capital Organizacional

Estratégias exigem mudança no modo em que a empresa faz negócios, devendo, portanto, que a estratégia seja executada por toda a organização.

O desenvolvimento de novos produtos, serviços, processos e clientes pelas organizações, implica em inovar, fazer diferente, mudar. Trata-se de um processo que exige novos comportamentos, iniciativas e valores que devem ser incorporados pela força de trabalho e, principalmente, pela organização.

Neste contexto, a empresa deve estar preparada e capacitada para mobilizar e sustentar o processo de mudança necessário para a execução da sua estratégia, o que irá potencializar a integração do seu capital humano e sistema de informação com os ativos físicos e financeiros, ampliando consideravelmente as chances de atingir e superar os resultados esperados.

Estamos nos referindo ao desenvolvimento do Capital Organizacional, tema abordado intensivamente pelos gurus em estratégia Kaplan e Norton, e que permite a empresa melhor compreender e absorver sua visão, missão, valores e a própria estratégia, criando e fomentando uma série de atitudes e comportamentos em direção à eficiência e alto desempenho acerca da sua estratégia, fazendo com que todos trabalhem juntos e na mesma direção.

Empresas com baixo nível de capital organizacional geralmente não tem sucesso na implementação da sua estratégia devido à ausência de uma cultura voltada à estratégia, baixo comprometimento da liderança para conduzir a estratégia, falta de alinhamento em todos os níveis da organização e principalmente do trabalho em equipe não orientado aos objetivos estratégicos.

Para Kaplan e Norton, a primeira etapa para o desenvolvimento do capital organizacional refere-se à criação de uma agenda de mudanças em função da estratégia formulada pela empresa. Esta agenda de mudanças tipicamente apresenta dois tipos de mudanças comportamentais, voltadas para:

1. Criação de valor aos seus clientes e acionistas;
2. Execução da estratégia.

Tratam-se de comportamentos distintos onde a criação de valor prioriza o foco no cliente, a criatividade e o resultado, enquanto que na execução da estratégia dá-se ênfase na compreensão da missão, valores, visão e da própria estratégia, no senso de responsabilidade entre seus funcionários, na busca de uma comunicação clara, objetiva e aberta e no trabalho em equipe.

Por se tratar de mudanças, as empresas dão maior enfoque no que se tem menor habilidade ou que nunca tenha sido objetivo da empresa, visto que o mapeamento de todos estes indicadores seria de difícil implementação e controle. Além disso, o foco da empresa na mudança comportamental depende do setor de atuação e no posicionamento de mercado, principalmente em se tratando de novas estratégias.

Em outras palavras, empresas que irão competir na confiabilidade e consistência da qualidade de seus produtos poderão optar por uma cultura de qualidade e melhoria contínua, enquanto que empresas que buscam adotar uma estratégia de solução total para seus clientes optem pelo foco nos clientes.

Já a cultura de redução contínua de custos poderá ser adotada por empresas que irão competir na base do baixo custo total, enquanto que empresas que se esforçam para serem líderes de produto preferirão desenvolver uma cultura de criatividade e inovação.

Em resumo, estratégias exigem mudança no modo em que a empresa faz negócios, devendo, portanto, que a estratégia seja executada por toda a organização, o que torna necessário o desenvolvimento de novas atitudes e comportamentos compatíveis com sua nova proposição de valor, segmento de clientes e posicionamento estratégico.